Olhos secos depois da LASIK?

O texto abaixo é uma tradução da entrevista concedida pelo do Dr. Renato à revista EURO TIMES, durante congresso realizado na Dinamarca. Nela, Dr. Renato aborda questões referentes ao quadro pós-operatório da cirurgia refrativa. Você sabe o que significa a sigla LASIK (saiba mais)? São as iniciais de Laser-Assisted in Situ Keratomileusis, ou seja, um tipo de cirurgia em que o oftalmologista treinado utiliza um raio laser de extrema precisão para remodelar a córnea, com o objetivo de que a luz seja focalizada de forma adequada à maioria das tarefas que exigimos dos olhos diariamente:

“É consenso que uma das principais causas de insatisfação dos pacientes que realizam cirurgia refrativa da córnea é sentir os olhos secos em associação aos efeitos pós-operatórios da LASIK. Mas, há outra questão a ser explorada: A epiteliopatia neurotrófica, que consiste em erosões epiteliais recorrentes devido à perda de sensibilidade, associada a déficit de lágrimas, induzida pela cirurgia LASIK, e que pode resultar em um paciente muito infeliz muitos meses após a cirurgia.”

A pergunta acima foi feita pelo Prof. Dr Renato Ambrósio Jr, Professor Afiliado de Oftalmologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de São Paulo, Brasil, durante um XXXV Congresso da ESCRS em Copenhague, Dinamarca.

É de conhecimento geral que, desde o ano 2000, a diminuição e o retorno subsequente da sensação corneana podem ser medidos objetivamente usando um esthesiometer, dispositivo para medir a sensibilidade tátil dos olhos. O renascimento da forma normal dos nervos pode ser documentado com microscopia confocal, por meio da obtenção de imagens de amostras vivas e de informação computadorizada tridimensional.   No entanto, existem casos de perda de sensibilidade na córnea durante longo período após a LASIK, e que não se recuperam durante período muito mais extenso. Esta é a situação em pacientes que sofrem de déficit lacrimal induzido pela cirurgia LASIK, chamado de LINE, disse o Dr. Ambrósio.

Devido ao desafio que o tratamento da LINE pode impor, o foco inicial deve ser a prevenção. Para evitar o agravamento de um paciente com pré-disposição ao déficit lacrimal, é necessário realizar seleção adequada do procedimento refrativo de acordo com cada paciente.

“A síndrome de disfunção lágrima pré-existente é um importante fator de risco para um quadro severo de olho seco no pós-operatório. Isso é muito comum, porque os pacientes que têm dificuldade em usar lentes de contato se convencem de precisam de cirurgia refrativa”, alertou.

O cirurgião deve estar atento ao exame pré-operatório desde o perfil da queixa e a entrevista realizada pelo profissional de saúde. Além disso, a avaliação clínica deve incluir imagens oculares, como o OCULUS Keratograph®, que permite avaliar a estabilidade do filme lacrimal e todo seu sistema, envolvendo as glândulas de Meibomian e a dinâmica intermitente. “Os corantes vitais, incluindo a fluoresceína e rose bengala ou lissamina verde, são importantes. Também descobrimos que o azul de tripano é muito eficaz para examinar a superfície da córnea e conjuntival “, disse Ambrósio.

Como podemos minimizar o trauma dos nervos da córnea durante a cirurgia refrativa? Ao executar a LASIK, uma aba mais fina com menor diâmetro e dobradiça maior irá reduzir o impacto sobre as fibras do nervo da córnea, aconselha Dr. Renato.

A pequena incisão com técnica de extração lenticular, chamada de SMILE, é um procedimento com menor impacto sobre os nervos da córnea em relação a LASIK, uma vez que não há corte de aba. Ele compartilhou dados que mostraram que a sensibilidade da córnea é menos afetada e retorna à linha de base mais rápido depois do uso da técnica SMILE, explicada acima.

E quanto aos pacientes já previamente diagnosticados com LINE (déficit lacrimal)? Seu conselho é aplicar estratégia designada à condição da pessoa, começando uma explicação completa sobre a disfunção e levando informação ao paciente.

“Prescrever lágrimas artificiais sem conservantes é importante. Além disso, a suplementação oral de Omega-3 EFA com cápsulas de linhaça e/ou óleo de peixe, ciclosporina tópica 0,05% e gel dexpantenol funcionam bem. Em casos graves, o soro autólogo é necessário”, disse ele.

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